Economia x Alimentação Correta
Dr. Gustavo Braune
Há uma série de assuntos que devemos tratar e por isso repartirei em itens para ser mais claro.
1- Se há perspectivas de seus animais serem submetidos à alta performance, mesmo que não o sejam no momento, o manejo nutricional já deve atender esse projeto desde agora.
2- "...o pasto é pouco e fraco...” Esse relato demonstra sua sinceridade e vontade de encarar de frente o problema - muitos criadores omitem até a si mesmo essa questão, que é a mais importante e mais econômica de todas.
Sempre que faço palestras sobre nutrição equina inicio falando de ECOLOGIA e sua irmã gêmea, a ECONOMIA. Se um animal é herbívoro, isto significa que na sua evolução a forma mais econômica de produzir energia é através de gramíneas e leguminosas como matérias-primas.
Então, se o pasto está fraco, a atividade pecuária de produção de herbívoro está distante da matéria-prima principal. Isto, em linguagem empresarial do terceiro milênio, é a beira do caos. Então a solução é acabar com tudo? NÃO. Há como recorrer economicamente, trazendo ao animal o pasto de boa a ótima qualidade, através do feno cultivado em terras nobres: terra nobre significa teor alto de matéria orgânica no solo, cultivado em topografia (plana) que dificulte a lixiviação do solo (pelas águas das chuvas que devem ser abundantes) e permita uma incidência de raios solares capazes de fomentar a fotossíntese que será armazenada no feno. Que seja rica em minerais. Que seja de preferência de campos naturais, estes geralmente isolados das áreas urbanas. Esse ponto é fundamental que seja colocado, pois tenho quase certeza que nunca ouviu falar: as descargas das chaminés urbanas carreiam poluentes que ao se encontrarem com as camadas da atmosfera se precipitam em chuvas ácidas. Este ácido retornará à terra e, dentre inúmeros prejuízos, irá interferir nas solubilidade de minerais do solo impedindo-os que sejam sugados pelas plantas - conseqüentemente teremos gramíneas e leguminosas deficientes em substâncias vitais como cálcio, fósforo, magnésio, selênio, cobre, zinco, e por aí vai. Essas deficiências irão se traduzir em:
* alteração no ciclo estral das fêmeas em reprodução (cios de silenciosos a longos);
* freqüente incidência de retenção de placenta no pós-parto;
* produção insuficiente (em qualidade e quantidade) de leite na amamentação;
* retardo no crescimento dos potros desde o ventre da mãe;
* susceptibilidade a verminoses e diarréias em animais novos;
* doenças de casco, pelo e pele;
* freqüentes problemas de aprumo;
* aparecimento com freqüência da famosa "Cara Inchada";
* aumento da incidência de manqueiras quando na equitação.
ANTES DE SEGUIR EM FRENTE, MENTALIZE NESSES ÍTENS OS ATUAIS OU POTENCIAIS PREJUÍZOS QUE VOCÊ PODE ESTAR SUJEITO
Agora vejamos que a maioria dos leitores pode estar utilizando como fonte de volumoso para o cavalo, capim de corte tipo elefante (Napier, Cameroun, etc.). Geralmente são produzidos em solos contra-indicados (de acordo com as colocações acima). Além desse inconveniente há outro tão grave quanto que é a interferência negativa no aproveitamento de minerais, causado pelos capins tipo elefante - é fato comprovado cientificamente que há neles substâncias conhecidas como oxalatos que precipitam minerais, principalmente o cálcio. Mas não pára por aí: uma das paisagens e cenas mais comuns no nosso roteiro pelos cratórios é assistirmos a chegada de gigantescas braçadas de capins cortados e, em seguida, serem picados através de máquinas, que são tantas pela vizinhança afora que chegam a compor um ambiente urbano com as descargas de poluentes que, certamente, retornarão às capineiras. O ciclo negativo estará fechado, e com ele os PREJUÍZOS.
CONCLUSÀO NÚMERO 1 - INVISTA EM FENO DE BOA PROCEDÊNCIA: Ele irá disponibilizar nutrientes de alta qualidade e fará com que seu cavalo, comendo no CHÃO, mastigue o bastante para o aproveitamento máximo dos alimentos - isto é economia com eficiência e "Inteligência Biológica".
CONCLUSÃO NÚMERO 2 - Coloque o concentrado no seu devido lugar na vida do cavalo - é SUPLEMENTAÇÃO.
Para que possamos dar continuidade aos argumentos anteriores, acho por bem relatar dados científicos, que julgo extremamente úteis e fundamentais a qualquer tomada de decisão: Como é do conhecimento de todos, uma série de capins cultivados e fornecidos a cavalos podem conter quantidades indesejáveis de OXALATO, substância diretamente envolvida com seqüestro e interferência na disponibilidade do Cálcio ao organismo e conseqüentemente às mais variadas doenças e/ou carências que envolvem esse nobre mineral.
Segundo pesquisas científicas as forrageiras com níveis de oxalato superior a 0,5% na matéria seca e com relação cálcio/oxalato inferior a 0,5 devem ser consideradas impróprias para os eqüinos. Algumas delas são :
Brachiaria humidicola
Panicum maximum (colonião)
Brachiaria sp (Brachiaria)
Digitaria decumbens (pangola)
Brachiaria dictyoneura (lianero)
- Antes da escolha do alimento ou da conclusão de um cálculo de ração é aconselhável entender o que é digestibilidade.
Como sugere o termo, digestibilidade é a capacidade que cada alimento tem de ser digerido - condição indispensável ao seu aproveitamento.
A digestão dos alimentos concentrados fontes de proteína ou energia (amido, carboidrato ou gordura) são digeridos principalmente no intestino delgado. Ela se inicia na boca (saliva), suco gástrico, enzimas intestinais e é otimizada com a ajuda de secreções (biliares) do fígado e do pâncreas. Todo esse mecanismo garante um ótimo aproveitamento de proteína, gordura e carboidratos, mas não tão eficiente do amido.
E porque isso?
O pâncreas do cavalo lança no intestino delgado grande quantidade de lipase (para digerir gordura) e muito pouca amilase (para digerir amido) - isso é facilmente explicável na própria seqüência evolutiva do ancestral do cavalo.
E quais os alimentos geralmente oferecidos aos cavalos que contém grande quantidade de amido?
Os grãos de cereais: o milho possui cerca de 70% de amido, já a aveia somente 50%.
Deixo aqui informações concentradas, como nesses alimentos: de pouco volume e muita qualidade. Agora a ordem é digerir e discutir.
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