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Ocorrência de Fotosensibilização em Equinos Mantidos em Pastagem
de Brachiaria Humidicola

Maria Aparecida Moreira Schenk | Saladino Conçalves Nunes | José Marques da Silva

A sensibilização da pele à luz, tecnicamente denominada de fotossensibilização, também é conhecida por "requeima" ou "sapeca", e caracteriza-se por uma dermatite que evolui em fases de: eritema, edema, pápulas, vesículas e crostas com aspecto de "casca de árvore". A fotossensibilização pode ser primária (direta) ou secundária (hepatógena). Nesta última forma, mais comum em ruminantes (Fagliari 1982), o fígado é lesado por toxinas, causando distúrbio hepático e impedindo-o de fazer a desintoxicação do organismo de certas substâncias fotodinâmicas que vão se acumular na circulação periférica. Com a incidência da luz solar, instala-se o quadro de fotossensibilização.

No Brasil a ocorrência de fotossensibilização hepatógena em bovinos em pastagem de Brachiaria decumbens, foi relatada por vários autores, principalmente em animais jovens, da desmama até os dois anos de idade (Hutton s.d., Döbereiner et al, 1976, Nobre & Andrade 1976, Schenk & Schenk 1979). Essa doença também tem sido observada em bubalinos e ovinos. Em eqüinos, entretanto, é pouco conhecida.

A propósito da Brachiaria humidicola ser uma das gramíneas tropicais bastante utilizada para eqüinos de serviço, em áreas de cerrado no Brasil Central, onde em alguns casos se constitui na única opção forrageira além das pastagens nativas, configura-se como uma espécie de má qualidade, especialmente pêlos baixos conteúdos de proteína e de minerais, elevada concentração de oxalatos, sendo considerada potencialmente tóxica para eqüinos (Nunes et al. 1990b).

Com o objetivo de estudar a utilização de pastagem de B. humidicola para eqüinos e contornar os problemas mencionados, considerando a ampla propagação dessa espécie, foi conduzido um experimento na Fazenda Modelo, do Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte (CNPCC), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), com início em julho de 1989. Foram colocadas, nesta pastagem, 24 potrancas. mestiças Crioula, recém-desmamadas e suplementadas com minerais e concentrados. Após cinco meses de permanência na B. humidicola (dezembro), sete (29,0%) dos animais apresentaram sinais clínicos de fotossensibilização hepatógena, caracterizados por emagrecimento progressivo, queda de pêlo, ressecamento da pele, escaras, "quebramento de orelhas" e lacrimejamento. Em alguns animais estas lesões externas foram observadas em várias partes do corpo e, em outros, somente nos boletos, chanfro, narinas e pálpebras despigmentadas. A fotossensibilização hepatógena ocorreu principalmente nas potrancas de pelagem clara, e em algumas de pelagem escura mas com pêlos brancos nas extremidades (animais calçados) e no chanfro (frente aberta).

Os animais doentes receberam tratamento com protetor hepático* e permaneceram na pastagem, com exceção de um que estava com lesões mais graves, e que morreu, apesar do tratamento. Os outros se recuperaram.

Realizada a necropsia foi observado que o animal encontrava-se magro, com escaras pelo corpo, mucosas acentuadamente ictéricas, gânglios linfáticos pré-escapulares e inguinais enfartados, fígado e baço aumentados de volume, congestão pulmonar difusa, pequenos pontos avermelhados (petequias) na musculatura cardíaca e na cortical renal.

O exame microscópico confirmou os achados de necropsia, caracterizando o quadro clínico de fotossensibilização hepatógena, principalmente pelas lesões encontradas no fígado com congestão e necrose centro-lobular.

Considerando a ocorrência de fotossensibilização e outros problemas em pastagem de B. humidicola, Nunes et al. (1990a) não a recomendam para cavalos, sugerindo outras forrageiras mais apropriadas, tais como:

Coast-cross (Cynodon sp.), Ramirez (Paspalu. guenoarum), Pasto Negro (Paspalum plicatulum), Rhodes (Chioris gayana), Pensacola (Paspalum notatu. cv. Pensacola), entre outras.

Entretanto, se a B. humidicola for a única opção, algumas precauções deverão ser observadas:

- períodos curtos de utllização;

- manejo rotacionado;

    - retirada imediata dos animais da pastagem aos primeiros sinais clínicos de

    fotossensibilização, e, se possível, mantê-los à sombra;

    - tratamento dos doentes com protetor hepático, anti-histamínico e hidratantes. 


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