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ARTIGO
 

Dez respostas para escolher o melhor lugar para o seu amigo

"Há pouco tempo comecei a procurar um local para deixar meu velho e fiel amigo" me disse uma amiga, conhceida veterinária, que estava procurando pensão para seu cavalo de CCE, hoje com mais de 21 anos.
"É uma relação de longa data - continuou ela -, uma amizade de mais de doze anos, onde cada um conhece o jeito do outro, em especial o mau humor de cada um. Como as provas de CCE começam a ficar mais exigentes para a idade do meu amigo, estou preparando um cavalo mais novo e pretendo deixar meu comonaheiro de longa data, bem instalado. Um local onde vá ser bem tratado, tenha conforto e limpeza, boa alimentação e em especial, possa desfrutar de seu merecido repouso ao mesmo tempo que eu possa vê-lo sempre e sairmos juntos em passeios ou até mesmo praticarmos uns obstáculos."
Foi nessa busca de minha amiga que eu comecei a perceber quão difícil é essa escolha, deixar o cavalo da gente aos cuidados de terceiros, onde na realidade o dono do animal tem pouco controle na maneira como seu companheiro é tratado. Essa é uma preocupação que não afeta a mim somente, que tenho um bom lugar para descanso de cavalos mas, em especial, a todos aqueles que tem cavalos e não tem um local adequado para deixá-los, além do tradicional centro hípico Daí, surgiram esas dicas que podem servir de orientação na sua escolha.

A primeira coisa que qualquer dono de cavalo precisa saber, expliquei à minha amiga - cujos dois de seus cavalos já haviam passado alguns meses descansando no Rio do Céu, como pensionista de férias - é:
O que ele ou ela, dono(a) do cavalo, quer para seu amigo? Descanso, recuperação, preparação para uma atividade, iniciação de um potro ou simplesmente vida de cavalo, com muita liberdade, verde, sol, sombra e água fresca?

"Qual é a razão que o cavalo viria para ficar como pensionista? Para ser montado por ela aos finais de semana? Para ser recuperado de algum stress ou distensão, para ser reeducado porque adquiriu maus hábitos, para descanso entre estação de provas?" perguntei a ela, sabendo a resposta devido a nosso longo e bom relacionamento.
E foi exatamente por aí que iniciamos nossa conversa, sobre quando seu cavalo foi hóspede pela primeira vez: descanso. Precisava recuperar-se um pouco, exercícios moderados com pequenos passeios ao ar livre, atravessar água, ela queria que ficasse solto ao pasto inclusive a noite com muito verde. Conversamos sobre a quantidade e tipo de ração, detalhamos alguns cuidados especiais. Mas o que ela mais queria era ver o local e conversar com quem, de fato, iria cuidar de seu amigo. Isso aconteceu na primeira vez que o cavalo veio por pouco tempo e agora, que seria uma pensão por muito mais tempo, mais do que nunca essa minha amiga queria conversar não apenas comigo, diretamente responsável pela direção do local, como também com quem manejava os animais.
Assim na conversa com os tratadores e na observação enquanto andávamos pelos piquetes do Rio do Céu, foi verificando a limpeza das cocheiras, a qualidade da água - de mina, canalizada diretamente nos cochos dos piquetes - conversamos sobre as diversidades e tamanhos dos pastos - ela verificou, por exemplo, que dávamos alfafa verde uma vez por dia aos animais - as proteção das cercas.
Ela, que conhece cavalos muito bem e já visitou um grande número de outros haras e manèges, observou que os animais em pensão no Rio do Céu eram muito calmos, os tratadores tinham o jeito certo para lidar com os cavalos, no pasto não fugiam da gente. Ela observou mais: se chovesse, seu cavalo poderia se proteger em cocheiras que se abriam para o piquete, havia árvores para sombra se houvesse muito sol.
Fizemos depois, montados, o percurso de passeio leve que ela pretendia para seu cavalo, conheceu e conversou com quem iria trabalhá-lo.
Foram muitas perguntas e observações e o que mais lhe chamou a atenção foi o estado dos outros cavalos. " Essa é a melhor prova de como os animais são tratados aqui" disse ela "e por conseqüência, como meu fiel amigo será."
Em resumo, não apenas o cavalo acabou ficando por mais tempo que o planejado, como recomendou o lugar para outras amigos meus.
A partir daí, para facilitar a sua escolha, meu caro leitor, que tenho certeza também procura fazer a escolha correta para seu amigo, fiz uma tabela do que deve ser levado em consideração quando você pensar em Pensão para Seu Cavalo.

1. Finalidade:
Cada vez mais as pessoas estão levando seus cavalos para o Interior do Estado, junto ao campo, para descansar de uma temporada esportiva ou simplesmente para serem bem tratados, com muito pasto e ar puro. E silêncio. Isso tem resolvido muitos casos de efizemas, pequenos problemas pulmonares, recuperação de fôlego, úlceras. É o caso de Doris Weigandt que trouxe o PS Árabe Darial, agora com 22 anos: "Quando o Darial chegou em Araçoiaba da Serra, tossia muito e estava quase sem fôlego. Pedi que não o deixassem em cocheiras e que apenas ele ficasse em liberdade. A recuperação foi tal que hoje saímos todos final de semana para longos passeios a trote e galope e ele voltou a ser aquele garoto saudável."

2.Localização:
Procure por lugares que estejam no máximo há duas horas de sua casa, com acesso fácil, num local bonito. Sair numa sexta a noite ou num sábado de manhã para ir passar um dia ou um final de semana com seu cavalo é algo que tem que ser gostoso, que não lhe traga stress. Boas rodovias ajudam muito nessas horas. No nosso caso, são duas rodovias modernas, de faixa dupla: Castelo Branco e Raposo Tavares. (localização)

3.Conversando a gente se entende:
Converse com os donos do local, veja a concepção que eles tem do modo de cuidar de cavalos. Vocês precisam falar a mesma língua, saber claramente o que acontece, como os animais serão cuidados.
Uma vez, uma família, exigiu que o cavalo da filhinha deles ficasse na cocheira praticamente o tempo todo, com apenas uma hora por dia de pasto, "para não sujar o animal e o pelo ficar bonito" (segundo eles achavam...) Explicamos que isso não seria saudável para o animal, que o animal já tinha sinais evidentes de úlcera e maneirismos de cocheira (dança do urso) e que o casal poderia observar a boa pelagem dos outros animais - boa alimentação - e que vinham para a cocheira apenas a noite. Mesmo assim o casal insistia em querer o animal preso. Infelizmente para o pobre cavalo, não concordamos, pois não era essa nossa filosofia de trancar animais o dia inteiro.

4.Observe tudo:
Água tem sempre que ser limpa e fresca, cocheiras não podem ter cheiro nem moscas, portas, porteiras e cercas não podem ter sinais de mastigação - animais nervosos - os tratadores não devem gritar nem ter gestos bruscos de intimidação, os animais devem ser saudáveis. Veja a farmácia de primeiros socorros. Verifique os tamanho das cocheiras, a altura das camas, piquetes, locais de trabalho. Veja limpeza e o cuidado. Isso está ali, presente. Você nota.

5.Como é verde o meu Pasto:
Veja a qualidade do pasto, tipo e variedades de capim, veja se existe muito esterco acumulado no pasto (o que não é saudável). Hoje no Rio do Céu são 5 tipos (ou mais) de capins . E água, água pura, boa e fresca à vontade.

6. Converse sobre alimentação:
Verifique pessoalmente onde fica guardada a ração, veja o tipo, qualidade e percentual de proteínas e energia. Proteína não é tudo e energia é muito! Veja o sal mineral, quanto que é dado, que jeito. Quantas vezes por dia os animais são alimentados. E a noite,existe uma inspeção? Tudo isso é fácil de verificar: o resultados está nos próprios animais.
"Via meu potro a cada semana" explica Ricardo Naschold, industrial-cavaleiro que teve um potro em pensão no Rio do Céu por mais de um ano enquanto preparava sua mudança para Capela do Alto. " A cada vez ele me surpreendia pelo seu bom crescimento, cada vez mais forte. Via, nitidamente,que ele recebia uma alimentação de primeira, talvez melhor até do que eu esperasse ".

7.Exercícios e preparo:
Existem pensões para cavalos que incluem exercícios e/ou trabalhos. Combine isso, só pensão custa tanto, trabalho mais tanto. Veja como é a pista, se existe um redondel, um elíptico para salto em liberdade ou treino com cavaletes. Veja se a região é adequada para passeios, se o terreno é apropriado para preparação física, com subidas e descidas. Saia junto com o pessoal. Vá ver onde seu cavalo vai andar, veja onde você quer passear. Tenha em mente: "o que quero fazer com meu cavalo, quando, que preparação eu espero dele".

8.Primeiros socorros e seguro:
Vamos falar sobre o que ninguém gosta de falar. Como todo animal vivo, seu cavalo está sujeito a acidentes: assustar-se e quebrar uma cerca, ou simplesmente sair galopando e cair ao fazer uma curva. Ou até aquele famigerado distúrbio intestinal, sobre o qual ninguém gosta nem de mencionar o nome.
Normalmente os primeiros socorros mais simples estão cobertos no valor da pensão mensal, mas o responsável pelo manège tem a liberdade - e obrigação - de chamar o médico-veterinário se ele compreender que assim for preciso e depis avisar você. Afinal é a responsabilidade dele.
O valor desse atendimento vai para sua conta.
Se possível, converse com o veterinário do local. No Rio do Céu são pedidos além de exames médicos de seu cavalo para entrar no local, um exame físico na presença do veterinário responsável pelo local.
No caso de morte os manèges não pagam pelo animal, portanto é sempre bom conversar sobre seguro e conhecer o histórico de cada lugar. No caso de minha amiga que originou este artigo, mesmo sendo ela veterinária, deixou autorização para chamar o veterinário do local para qualquer atendimento caso ela não fosse localizada. Não foi preciso.

9.Complementos e Periféricos:
O que existe na região para fazer? Que passeios posso fazer com meu cavalo? A região tem estradas tranquilas, de terra boa e adequada para passeios? É bonita? Veja no mapa do Google.
Onde ficarão guardadas suas selas, cabeçadas, a tralha toda? Quem limpa quem cuida, como cuidam? Faça um passeio com o pessoal do lugar. Isso revela tudo. Existe uma pista, o que você possa praticar?
Veja também o seu próprio conforto: acomodações na região, onde ficar se resolver passar a noite? Onde você e sua família podem almoçar, tomar um lanche etc. O que a cidade tem a oferecer se você precisar fazer compras, ou houver uma emergência ou simplesmente você quiser relaxar ao final da tarde indo ao cinema ? O Rio do Céu tem todos os roteiros e preços especiais em pousadas para aqueles que querem ficar nas pousadas e hotéis fazendas.

10. Finalmente, valores $$$:
Essa é parte mais difícil. E mais fácil. Quanto devo pagar? Tenha em mente que pensão para cavalos em manèges, haras etc, são mais baratos que em Hípicas de grandes centros urbanos. E normalmente os cavalos têm uma atenção mais próxima do dono do empreendimento. Mesmo assim os valores variam. E a visita do ferreiro é cobrada a parte.
A realidade é que cada pensão vale quanto pesa. É mais fácil você pagar mais e receber mais que pagar menos esperando receber mais. E se você pagar muito menos, não espere por milagres, que não acontecem assim.
E, acima de tudo, você está pagando por tranqüilidade, sossego, despreocupação. Com a certeza de que seu amigo está sendo bem cuidado.


 


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